COP21: 200 países firmam acordo, mas o planeta continuará esquentando – por Tomi Mori

 

Cerca de 200 países assinaram o acordo climático cuja promessa é terminar com a era dos combustíveis fósseis nas próximas décadas. A COP21, caso esse objetivo não seja atingido, terá sido uma das maiores e mais grotescas farsas realizadas durante a existência humana no planeta. Quem viver, verá!

Metas inatingíveis

Com a emissão de gases efeito estufa já efetivada, mais a impossibilidade de impedir que os países produtores de petróleo continuem produzindo e, não apenas esses, como Venezuela, Brasil, entre outros, os objetivos de se manter o aquecimento global em 1.5, 2.0 graus ou até um pouco mais parece canção de ninar cujo efeito será apenas tranquilizar os espíritos. Ao mesmo tempo que se continua fazendo tudo como se têm feito até hoje e que nos coloca em um ambiente onde o aumento de temperatura já matou milhares de pessoas e já tem afetado alguns milhões em todo o planeta.
Apesar de toda a fanfarra, abraços e sorrisos, gostaria que fosse explicado como vão impedir que a China continue crescendo pelo menos 6% ao ano, como é o desejo da maioria dos países, para evitar o aprofundamento da crise econômica mundial. Gostaria também que explicassem como vão impedir que a Índia, segundo país mais populoso, após a China, com milhões de miseráveis, possa ter crescimento econômico. Por último, é determinante saber, também, quem irá controlar as principais empresas poluidoras como a Shell, British Petroleum, Exxon, só para citar algumas. Particularmente, é nas mãos dessas empresas que se decide se grande partede desses objetivos serão realmente atingidos. Existem razões de sobra para se dúvidar.

Já passamos a linha vermelha

Todos, ou, a maioria, concorda que as mudanças climáticas afetam a vida no planeta. Mas, nessa cortina de fumaça, onde nos tentam fazer acreditar que existe possibilidade de crescimento sustentável, se deixa de ver que já, neste exato momento, passamos a linha vermelha das mudanças climáticas. As catástrofes que já ocorreram e que continuarão ocorrendo nos próximos anos levará a vida de, no mínimo, mais algumas dezenas de milhares de seres humanos em todo o mundo, além das plantas e animais. Se esses números ficarem nos limites dos milhares, claro.
Para relembrar, vimos o furacão Hayan, que deixou milhares de mortos e um imenso rastro de destruição, nas Filipinas. Onda de calor este ano na Índia, com temperaturas em torno de 45 a 48 graus, que deixou um número de mortos que passou o milhar, mas não sabemos com exatidão porque isso não era de interesse do governo. Na ocasião, em alguns dias, 17 milhões de frangos morreram devido ao calor insuportável nas granjas. Inundações, como a ocorrida no Bangladesh, anos atrás e, agora, a sêca que atinge partes da África e vários países na Ásia. Na Ásia, devido a influência do El Nino este ano, a agricultura tem sofrido imensas perdas, em colheitas de milho, arroz e até mesmo café. Os últimos dados mostram que as reservas de arroz atingiram os níveis mais baixos dos últimos anos nessa região. E que, com a inevitável perda de parte da safra no próximo ano, esse nível irá ficar mais baixo ainda. Isso poderá gerar, em um futuro cercano, uma crise alimentar de proporções inacreditáveis.

Uma farsa chamada COP21

jameshansen

Cientista americano James Hansen

Em recente declaração, publicada no The Guardian,dia 12 de dezembro, referindo-se a COP21, James Hansen, um dos mais renomados cientistas e ativista contra as mudanças climáticas, afirmou que “Não terá ação, são apenas promessas”.

Deixou claro também a COP21, realizada em Paris, “É realmente uma fraude, uma farsa.”. Argumentando que, por serem baratos, os combustíveis fósseis continuarão a ser queimados.

James Hansen tem sido o mais destacado cientista a alertar que o objetivo de se manter o aquecimento global em 2 graus é uma meta que poderá acarretar imensos perigos e não pode servir de parâmetro para se frear o aquecimento global. Mesmo a meta aprovada, de aquecimento de 1.5 graus, do mundo dos desejos, terá que mostrar sua viabilidade no mundo real, com medidas concretas que a viabilizem.

Como mostra a marcha de Lisboa, do dia 12, qualquer solução só poderá ser encontrada nas praças e nas ruas, pela ação coletiva de milhões de pessoas.

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