10 eventos em 2015 que dispararam o alarme sobre o caos climático – publicado por Esquerda.net

O ano mais quente de que há registo na história chegou ao fim com uma onda de mudanças extremas no ecossistema, das cheias sem precedentes no Reino Unido aos perigosos dilúvios na América do Sul. Por Sarah Lazare, Common Dreams

11 de Janeiro, 2016

cheias

Cheias no Reino Unido, dezembro de 2015. Foto de Rose and Trev Clough

 

Olhando para 2015, parece claro que tais eventos extremos não são a exceção, mas têm sido a regra nos últimos 365 dias e antes. Estas mudanças meteorológicas estão ligadas ao El Niño deste ano, excecionalmente forte, que por sua vez está vinculado ao aquecimento global provocado pela Humanidade.

As comunidades que estão na linha de frente do combate às alterações climáticas há muito tempo que advertem para o perigo das cheias, secas e megatempestades que já estão a trazer a morte, os deslocamentos forçados e a insegurança alimentar às populações por todo o planeta, particularmente os pobres, indígenas e habitantes do Sul global.
Eis dez extremos meteorológicos mais anormais em 2015 que sublinham a urgência de uma forte e efetiva adaptação, mitigação e políticas de redução de emissões.

1. Uma onda de calor no Ártico no fim de dezembro causou temperaturas no Pólo Norte que chegaram a ser 15 graus celsius acima da norma na estação, subindo acima do ponto de degelo e tornando a região mais quente do que cidades dos EUA e da Europa.

2. O El Niño deste inverno provocou enormes inundações no final de dezembro na América do Sul, incluindo Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina, forçando o deslocamento de mais de 150 mil pessoas.

3. Fortes chuvas na semana passada provocaram a subida do nível do rio Mississippi e afluentes, provocando enchentes históricas no Meio-Oeste dos EUA. Cientistas do clima dizem que uma das coisas mais importantes acerca deste dilúvio foi o momento em que ele ocorreu. “Nunca tinha sido observada antes este nível de água, no Inverno, no sistema de diques do rio”, explicou o meteorologista Jeff Masters.

4. A África do Sul enfrenta a pior seca de uma geração, no meio de temperaturas crescentes e chuvas reduzidas, uma situação que o El Niño terá piorado. Apesar de os impactos a longo prazo não serem imediatamente conhecidos, pelo menos 29 milhões de pessoas das nações do Sul da África enfrentam insegurança alimentar, de acordo com estimativas da ONU.
A África do Sul enfrenta a pior seca de uma geração, no meio de temperaturas crescentes e chuvas reduzidas, uma situação que o El Niño terá piorado.

5. Devido a uma prolongada seca que ainda decorre na Etiópia, mais de 10 milhões de pessoas estão a precisar de ajuda alimentar de emergência.

6. Em novembro, mais de 1,1 milhão de pessoas foram atingidas por um poderoso e raro ciclone que despejou chuva correspondente a um ano de precipitação no Iémen – e 40 mil tiveram de ser deslocadas. Grupos humanitários advertiram que o impacto sobre os residentes piorou devido à campanha de sete meses de bombardeamento levada a cabo pela Arábia Saudita, que prosseguiu durante a tempestade.

7. Mais de 1,2 milhão de pessoas nas Filipinas sofreram os efeitos de um megatufão, conhecido como Lando, em outubro – e dezenas morreram. “A nossa sobrevivência não é negociável”, declararam 20 mil pessoas numa manifestação em Tacloban em novembro, chamando a atenção para os prejuízos do supertufão Yolanda (também conhecido por Haiyan), que atingiu as Filipinas em 2013.

8. Uma dramática onda de calor atravessou o Médio Oriente este Verão provocando a subida de temperaturas tais que chegaram à sensação térmica de 70 graus celsius. Mesmo tendo em conta os padrões regionais, as temperaturas subiram do Egito à Síria. Milhares foram às ruas do Iraque protestando contra os perigosos cortes de energia, a falta de água e as más condições de vida que pioram os efeitos.

“Não é só um Verão anormalmente quente, são as alterações climáticas”

9. Neste Verão, o Paquistão sofreu a onda de calor mais mortal já registada, com a perda de ao menos 2.000 vidas. E na vizinha Índia, o mesmo fenómeno matou pelo menos 2.500 pessoas. “Não podemos fingir que não há qualquer ligação entre este atípico número de mortes da atual onda de calor e a certeza de outra monção fracassada”, disse o ministro da Ciência, Harsh Vardhan, em junho. “Não é só um Verão anormalmente quente, são as alterações climáticas”, disse.

10. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica concluiu no início deste mês que as alterações climáticas já estão a produzir mudanças profundas no ecossistema do Ártico. Por exemplo, perda de gelo, subida das temperaturas do Mar de Barents, nas costas da Noruega e da Rússia, estão a causar “uma mudança nos cardumes de peixes”. Estas mudanças têm impacto na vida animal e nas comunidades autóctones que dependem destes para sobreviver.

Mas talvez os mais alarmantes sejam processos que não estão à vista. A NOAA revelou em maio que, pela primeira vez na história registada, os níveis globais de dióxido de carbono na atmosfera atingiram uma média superior a 400 partes por milhão durante um mês inteiro – março de 2015. Os cientistas advertiram que, para atingir níveis seguros, o CO2 tem de ser trazido a um máximo de 350 ppm.

Como disse Erika Spanger-Siegfried, da Union of Concerned Scientists, todos estes extremos estão a ocorrer no contexto das alterações climáticas.
“As especificidades do que está a acontecer – o El Niño, a dinâmica do Ártico e o aquecimento subjacente – são, numa palavra, complexos, e os cientistas estão a discutir ativamente como as coisas estão a acontecer”, explicou Spanger-Siegfried. “Mas a conclusão coletiva reconhece que o aquecimento global tem um papel”.

Entretanto, numa declaração desta semana, a organização humanitária Oxfam International estimou que “O sistema meteorológico El Niño pode levar dezenas de milhões de pessoas a enfrentar a fome, a falta de água, e doenças em 2016 se não forem tomadas medidas imediatas para prevenir os seus efeitos sobre as pessoas vulneráveis”.

2 de janeiro de 2016
Publicado em EcoWatch

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

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