Acordo Climático de Paris que entrou em vigor é uma farsa contra os interesses dos trabalhadores, camponeses, povos originários, juvuntude e crianças – por Tomi Mori

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foto:UN/Rick Bajornas

 

acordo climático de Paris, também conhecido como COP21(Conferência das Partes), entrou em vigor, legalmente, no dia 4 de novembro. Por este acordo, estabelecido em dezembro de 2015, por 196 países, foi fixado o objetivo de manter o aquecimento global em 2% e tentando limitá-lo a 1.5% com relação aos níveis pre-industriais.

Esse acordo, para entrar em vigor, necessitava ser ratificado oficialmente por 55 países. Era de se esperar que fosse ratificado pelas 196 nações que o redigiram, mas, isso, concretamente não ocorreu. Participaram da festa mas não ratificaram o acôrdo países como Austrália, Japão, Chile, Colombia, Cuba, Equador, Egito, Finlândia, Israel, Kuwait, Líbano, Líbia, Filipinas, Rússia, Reino Unido, Venezuela, Turquia e algumas dezenas de países pequenos ou em desenvolvimento. Não foi possível apurar, no momento de publicação desta matéria, a posicão de países como Bélgica, Holanda, Espanha e Suiça, que aparecem na lista da ONU como não tendo ratificado o acôrdo Essa lista, por sí só, mostra que o acordo, na prática, não foi a uma vitória estrondosa, como foi alardeada, já que cerca de um terço não ratificou o acordo. O que, desde o início, já compromete sua implementação, que já era duvidosa.

A maior farsa da história humana

Apresentado como uma das maiores conquistas e veiculado por toda a imprensa mundial, na verdade, constitui a maior farsa da história humana.

É a maior encenação promovida na história. Teve a participação da maioria dos países e líderes do planeta e foi veiculada globalmente como uma grande conquista para uma platéia cuja maioria não possuía informações para compreender o que via na palco.

É uma farsa porque nenhum país é obrigado a cumprir os seus compromissos. Nem os principais países causadores nem os que são vitimados. Alguém pode acreditar que a China, a maior população do planeta, cujos interesses estão completamente entrelaçados com o imperialismo americamo, irá cumprir esse acordo? Alguém pode acreditar que a Índia, segunda população do globo, governada pelo reacionário Narendra Modi, deixará de construir as dezenas de usinas de energia elétrica, movidas a carvão, que estão planejadas e que podem transformar o mundo em um verdadeiro inferno? As Filipinas, o país que foi atingido, anos atrás, pelo furacão Hayan, que deixou milhares de mortos e é uma das principais vítimas do esquentamento global fez parte dos 196 países a participantes da cúpula de dezembro, mas, o atual presidente, Duterte, que tomou posse em junho, já havia declarado que não ratificaria o acordo e que continuaria construindo usinas elétricas movidas a carvão. Esses são apenas alguns exemplos ilustrativos.

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População pobre é a que mais sofre com os furacões – foto: redes sociais

Uma farsa porque os objetivos traçados de 1.5% ou 2% são uma ameaça real, que irão causar desastres fenomenais. E atingirão, principalmente, os trabalhadores, camponeses pobres, povos originários, juventude e crianças. Com o atual aquecimento de 1% já vivemos secas devastadoras em vários países, que não são de conhecimento público porque a imprensa mundial não noticia essas tragédias. Milhões sofreram inundações e outros milhões sofrerão inundações nos próximos anos. Os furacões estão cada vez mais poderosos e destrutivos, como o Hayan, Matthew e Lawin, que deixou desabrigados milhares de filipinos recentemente, coisa que foi escondida completamente dos meios de comunicação. E a escassez de água já é um problema real para alguns bilhões de pessoas. O objetivo de 2% de aquecimento é uma farsa para fazer crer a humanidade de que esses ainda são limites seguros para as nossas vidas, quando na verdade, importantes cientistas climáticos, como James Hansen, afirmam categoricamente que não são seguros.

É uma farsa, principalmente, porque para esses objetivos serem alcançados já teríamos que ter tomado medidas como sucatear a maior parte da indústria de combustíveis fósseis, coisa que sabemos jamais irá acontecer sob o capitalismo. São objetivos(errados) que tampouco serão cumpridos e, sabemos, o aquecimento de 1.5%, 2%, 3%, ou 4%,se não derrotarmos imediatamente o capitalismo, será o que irá acontecer fazendo desaparecer da face do planeta uma grande parte das espécies e provocando, também, um número inimaginável de mortes humanas.

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Enchentes afetam milhões de pobres em todo o planeta – foto: redes sociais

É uma farsa porque é um acôrdo que permite o capitalismo continuar sendo o que é. E, ao mesmo tempo, lança na população do planeta a ilusão de que algo realmente sério está sendo feito, quando na verdade o que se faz é agravar ainda mais a grave crise climática.

Como viverão os atuais jovens e crianças em um mundo 2, 3, 4% mais quente? Será possível sobreviver? Em que condições?

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Crianças já sofrem efeitos das mudanças climáticas. Foto: redes sociais

A necessidade de denunciar a farsa e lutar para resolver a crise climática sob a ótica socialista

Um dos maiores problemas que temos com relação a crise climática é a desinformação que é veiculada constantemente. Primeiro por aqueles que negam que a crise climática já é uma ameaça real. O maior exemplo é o candidato a presidência americana Donald Trump. O outro que é até mais grave, é constituído por grupos que tentam mostrar que a crise climática será um problema para nossos filhos ou, quem sabe, nossos netos, que temos ainda um bom tempo para resolver esse problema, quando, na verdade, todos os cientistas climáticos afirmam que não fazemos o suficiente e, os mais lúcidos entre eles, afirmam que já estamos muito atrasados em nossas ações. Por esse motivo, denunciar a farsa é fundamental para lutarmos contra a crise climática que nos afeta.

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Seca já causou o suicídio de milhares de camponeses pobres arruinados na India. Foto: The Guardian

Mas, é preciso explicar, pacientemente, que a atual crise climática não pode ser resolvida sob o capitalismo. E organizar e participar das lutas, como a que está sendo travada pela Nação Sioux de Standing Rock, nos Estados Unidos, que luta contra a construção de um oleoduto de 1.900 km em suas terras sagradas que, se construído, provocará um grande dano ambiental.

Quanto mais os trabalhadores, camponeses, povos originários e jovens demorarem para tomar em suas próprias mãos a resolução desse grave problema, maiores serão os sofrimentos e tragédias. Sem socialismo no futuro mais próximo não haverá solução para a crise climática.

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